O Museu
Um casarão eclético no centro de Quixadá que já foi residência de família, tornou-se equipamento cultural do município e hoje guarda a memória coletiva da cidade.
Fachada do casarão de 1922 — Rua Autran Moreno, nº 202, Centro, Quixadá/CE
Linha do tempo
1922
A construção da Rua Autran Moreno, nº 202, no Centro de Quixadá, foi originalmente erguida por Raimundo Franklin. Posteriormente, a casa abrigou a residência de Daniel Moura, empresário do setor algodoeiro, e mais tarde foi ocupada pela família de Raimundo Coletor e Naide Ceará. De arquitetura eclética, a edificação possui 593,60 m² de área total, sendo 290 m² de área construída e 303,60 m² de área livre.
1984
Em 27 de outubro de 1984, o imóvel é adquirido pela Prefeitura Municipal de Quixadá e destinado à implantação do museu, com o propósito de acolher, conservar, pesquisar, interpretar e comunicar ao público um acervo de relevante valor histórico e cultural.
2000 — 2009
A Lei Municipal nº 1.922, de 11 de agosto de 2000, oficializa a denominação Museu Histórico Jacinto de Sousa; a Lei Municipal nº 2.226/2006 institui sua criação. O equipamento adere ao Sistema Estadual de Museus do Ceará (2006) e ao Sistema Nacional de Museus (2007). Em 14 de fevereiro de 2007, o imóvel é tombado como patrimônio material protegido do município, pelo Decreto Municipal nº 007/2007, nos termos da Lei Municipal nº 1.727/1997. O inventário de 2009 registra 1.335 peças catalogadas.
Acolher, conservar, pesquisar, interpretar e comunicar ao público um acervo de relevante valor histórico e cultural, promovendo a reflexão, o conhecimento e o fortalecimento dos laços com a história e a identidade de Quixadá.
Salas expositivas permanentes dedicadas ao Açude Cedro, ao Cotidiano de Quixadá, a Jacinto de Sousa, a Aderaldo Ferreira de Araújo, ao Quixadá antigo em maquetes e a Política e Memória, além de três espaços de circulação destinados a exposições temporárias de artistas da cidade e de todo o país.
O museu recebe visitas diariamente, com destaque para a circulação escolar e universitária, participa das ações da Política Nacional de Museus desde 2009 e mantém parcerias com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Unicatólica de Quixadá.
O Museu Histórico Jacinto de Sousa está inserido em um conjunto urbano de marcos fundamentais da história de Quixadá — da praça mais antiga do centro à estação que ligou o sertão central à capital.
A Praça José Marques da Silva é um dos espaços públicos mais antigos de Quixadá, localizada nas proximidades do Museu Histórico Jacinto de Sousa. Originalmente concebida como ponto de convivência e área de circulação central, a praça recebeu o nome em homenagem a José Marques da Silva, figura de destaque na política e na vida social do município durante a primeira metade do século XX.
Ao longo do tempo, o espaço passou por diversas intervenções urbanas, preservando, entretanto, elementos que remetem ao traçado original, como o calçamento em pedra tosca e parte da arborização tradicional. Atualmente, a praça abriga eventos culturais e atividades promovidas pela Secretaria de Cultura e pelo MHJS.
Inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, em alusão ao centenário da Independência do Brasil, o Monumento ao Trabalhador Livre — também conhecido como Monumento do Ferreiro ou Monumento do Trabalho — foi esculpido pelo artista quixadaense Jacinto de Sousa e financiado pela Aliança Artística Proletária de Quixadá, grupo do qual ele era integrante.
A escultura foi feita em cimento armado sobre uma estrutura de alvenaria de 5,30 m, com o ferreiro representado em tamanho real. No lado norte está a roda do progresso e, abaixo dela, uma placa de bronze com a inscrição "1822-1922 À PÁTRIA INDEPENDENTE ALIANÇA ARTÍSTICA E PROLETÁRIA DE QUIXADÁ". No lado sul, uma figura feminina representa a Liberdade e a Justiça, acompanhada de versos da primeira estrofe do soneto "Ave Labor!", de Ignácio Moura.
Ao longo da escultura também se leem os dizeres "Animus, amor et labor" (coragem, amor e trabalho), "Labor omnia vincit" (o trabalho vence tudo), "Pax, justitia et labor" (paz, justiça e trabalho) e o lema "Decus in labore" (honra ao trabalho).
A Estação Ferroviária de Quixadá foi inaugurada em 1919 como parte da expansão da antiga Rede de Viação Cearense (RVC), ligando o sertão central à capital, Fortaleza. O edifício, em alvenaria de tijolos e cobertura em telhas cerâmicas, é exemplo do estilo arquitetônico ferroviário típico do período, com marquises em ferro fundido e elementos de ventilação que favoreciam o clima semiárido.
Durante décadas, o local foi o principal ponto de chegada e partida de pessoas e mercadorias, desempenhando papel fundamental no desenvolvimento urbano e econômico de Quixadá. A estação é hoje bem tombado pelo IPHAN e elemento central do conjunto urbano onde se insere o museu.
Próximo à antiga Estação Ferroviária localiza-se o Galpão de Cargas e Oficinas, estrutura de apoio às atividades ferroviárias. Construído em alvenaria simples, com cobertura metálica em duas águas, o galpão servia ao armazenamento de insumos agrícolas e materiais transportados por trem.
Atualmente, o edifício encontra-se em estado de preservação parcial, sendo utilizado de forma adaptada por comerciantes locais. Sua reabilitação para uso cultural ou educativo é objeto de interesse nas ações de requalificação do entorno do museu, visando à preservação da memória ferroviária quixadaense.
Aqui, antigamente, ficava a Casa do Agente da Estação de Quixadá, localizada na Rua Rodrigues Júnior, bem em frente à Praça da Estação. Era uma construção muito bonita, onde morou, entre outros, o senhor Hélder Lopes Paixão.
Apesar de sua importância histórica, a casa acabou ficando de fora do tombamento realizado pelo IPHAN, que incluiu apenas a Estação Ferroviária. O imóvel pertencia à RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) e, com o tempo, foi colocado à venda na internet, sendo posteriormente vendido e demolido. Hoje, no local, funciona o Posto São Francisco.
Com cerca de 190 metros de altura, a Pedra do Cruzeiro é um dos principais pontos de visitação de Quixadá. Em meados de 1933 realizaram-se algumas missões na cidade e o vigário Luis Braga Rocha teve a ideia da construção do cruzeiro, levada aos padres Pedro Vermeulen, João Ryts e Tiago Ryn. Fez-se então uma cruz para se colocar acima da pedra, que até então tinha o nome de "Pedra Grande da Lagoa".
Seu Adolfo, mecânico, cego, de grande habilidade, confeccionou as peças para serem montadas no local onde deveriam ficar, pois subir com a cruz montada era uma empreitada muito difícil. O cruzeiro foi inaugurado em 27 de julho de 1934, com missa celebrada pelo vigário.